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Amy Lee (ao centro) e seus meninos
Foto: Divulgação/Midiorama
Banda liderada pela cantora Amy Lee volta ao Rio neste sábado, depois de 12 meses tirando a ferrugem na estrada



RIO - Há um ano Amy Lee desembarcava no Brasil para se apresentar para uma multidão no Rock in Rio, numa noite de muitas camisas pretas e fãs de Evanescence, Guns N’ Roses, System of Down, Pitty e outros. Desta vez, a musa de pele alva, cabelos negros como a asa da graúna e voz operística traz ao país, aonde veio pela primeira vez em 2007 e voltou em 2009, a turnê do álbum “Evanescence”, lançado em outubro de 2011 — logo depois do Rock in Rio, portanto — sob grande expectativa por parte dos fãs saudosos de canções inéditas.— Muita gente reclama que levei cinco anos para lançar um novo disco desde “The open door”. Mas acho que se é para fazer um trabalho novo, tem que ser real e sincero. Se eu não tiver nada a dizer, não vou fazer. Sou muito sensível — diz Amy, de 30 anos, em entrevista por telefone. — Quando estou apaixonada ou com o coração partido me sinto na obrigação de dividir isso através da música ou da arte. Faz parte da minha profissão.
Porto Alegre, Rio de Janeiro (na HSBC Arena, sábado), São Paulo, Recife e Fortaleza foram as cidades escolhidas pela banda americana para completar a turnê, que se encerra na América do Sul. E a cantora garante que quem esteve na Cidade do Rock pode ir ao show sem medo de rever um filme antigo.
— A turnê está completando um ano, e teremos visitado 47 países ao final. O Rock in Rio foi nosso primeiro show depois de anos afastados. E já voltamos tocando para uma multidão de quê? Umas 100 mil pessoas? Foi assustador, muita pressão. Agora estamos muito ansiosos para voltar. Não só porque os brasileiros gostam da gente, mas porque queremos fazer um show melhor. Estamos mais seguros, confiantes. Além disso, vamos ter algumas surpresas no setlist, mas prefiro manter segredo.
Depois de 15 anos, da formação original, apenas Amy permanece. O grupo foi criado por ela e pelo guitarrista e compositor Ben Moody, que abandonou o barco durante a turnê do disco de estreia, “Fallen”, que decretou o estouro da banda em 2003. Atualmente, o Evanescence conta com Terry Balsamo (guitarra), Tim McCord (baixo), Will Hunt (bateria) e Troy McLawhorn (guitarra).
— Amo a banda. Definitivamente, é a formação mais forte que já tivemos. Fico muito feliz que tenhamos feito um disco juntos e conseguido sair em turnê — explica Amy, sem descartar um eventual voo solo. — Tenho pensado muito em ter a minha carreira. Existem músicas que componho pensando “essa é para o Evanescence, e essa, para um outro trabalho”. Mas ainda quero amadurecer e pensar, porque amo todos os estilos de música e todos os tipos de arte. Quero experimentar.
Com o fim da turnê de “Evanescence” e tantos pensamentos sobre a carreira solo ou em grupo, os fãs podem esperar um disco novo?
— Ainda não tenho planos para o próximo álbum, mas estou com a cabeça aberta para novas ideias. Estou ansiosa para voltar a viver uma vida normal com minha família. Durante a turnê, existem muitas obrigações, como dar entrevistas, preparar setlist, acertar detalhes, não ter muitas horas de sono, encontrar os fãs. Quando estou em casa, tenho a chance de não pensar no Evanescence 24h por dia. Posso tocar piano sem ser pela obrigação de fazer um show, então tenho mais chances de exercer minha criatividade.
Apesar de se manter longe dos holofotes e de ser avessa a badalações que estampam capas de revistas de celebridades, Amy Lee não esconde que o amor tem sido fundamental para manter seu trabalho produtivo. E não foi sempre assim. “Bring me to life”, uma das responsáveis pelo estouro da banda, ainda em 2003, tem versos como “congelada por dentro, sem seu toque, sem seu amor”.
— Sou muito sensível. Quando estou apaixonada ou com o coração partido me sinto na obrigação de dividir isso através da música ou da arte. Faz parte da minha profissão. Estou casada há cinco anos e muito feliz com meu marido (o terapeuta Josh Hartzler). Compus mais nos últimos anos do que em toda a minha vida. Isso explica muita coisa.
Com vários carimbos brasileiros no passaporte, a cantora faz questão de explicar por que o país se tornou obrigatório em suas turnês.
— Os brasileiros são os fãs mais barulhentos do mundo. Enquanto vocês se mantiverem apaixonados, fiéis e com vontade de ver nossos shows, vamos voltar aqui infinitas vezes — finaliza Amy, aproveitando para relembrar bons momentos em solo carioca: — Em 2011, ficamos em um hotel na beira da praia. Descemos até a areia, caminhamos, nadamos. Fiz tudo o que tinha direito, inclusive usar biquíni e tomar caipirinha. Foi uma maneira de relaxar e aproveitar como se estivéssemos de férias. Por isso temos lembranças muito boas daí. Desta vez, com tantos shows, vai ser difícil repetir essa programação.


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