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Que o Brasil é um país repleto de tesouros e preciosidades musicais, não temos dúvidas! Mas ainda assim, ficamos extremamente chocados quando nos deparamos com um trabalho de uma qualidade que nem de longe estamos acostumados a ouvir.
Em tempos de sexualização e poluição sonora, encontramos a paz serena e plena em um som que nos transporta a algo totalmente novo. Ouso dizer que em 28 anos de vida e alguns bons anos de experiência musical, nunca ouvi nada parecido com o que a Morpheu's Dreams trás para o cenário metal nacional e consequentemente internacional.
(Em breve estaremos trazendo uma entrevista com o Christian, contando tudo sobre o álbum What Dreams May Come?”).
Esqueçam os rótulos e entre na maravilhosa terra dos "Sonhos de Morpheu'. Apertem os cintos, e aproveitem a viagem.
Confiram abaixo a entrevista exclusiva com o gutarrista Christian Buchhaas:

01- Como surgiu a Morpheus’ Dreams? 
Basicamente da influência que peguei dos meus pais em ouvir World Music e do meu defeito de querer abraçar o mundo. Exatamente como uma criança numa loja de doces que tem de tudo...eu fui assim com a música. Claro, a Morpheus não começou pronta com o conceito que ela tem hoje, ela é uma evolução de ideias que surgiram ao longo do tempo, de quando comecei a estudar música e via bandas de amigos tocando. Fui “pegando” tudo aquilo que mexia comigo, botei num “pote” e via o que dava daquele milkshake. Começou com um nome e proposta bem diferentes de hoje, mas com o passar do tempo as ideias foram surgindo (algumas inclusive em sonhos, como o nome), amadurecendo e se solidificando até se transformarem no que a Morpheus é hoje.

02 - No processo de composição do álbum What Dreams May Come?, como foi para chegar ao material final do álbum? Quais foram as influencias?
Para chegar a esse resultado precisei ouvir muita coisa fora do comum pra tentar me aproximar do resultado desejado. Grupos como Irfan (da Bulgária), Nyiaz (do Irã), Anima (aqui do Brasil), Peter Gabriel (que tem uma forte influência da música africana), Loreena Mckennitt, entre outros. Isso fora do Rock ou Heavy Metal. 

03 - Podemos ouvir muitos elementos distintos no álbum que se casam muito bem, como por exemplo: erudita e metal, místico e gótico, algo que remeta ao coração de uma floresta e ao mesmo tempo, as galáxias. Como foi o processo de composição do álbum?
Não foi fácil, tampouco rápido. A Morpheus já tem alguns anos, e eu tenho o hábito de ir guardando o material conforme as ideias vão aparecendo, então as músicas possuem idades variadas. As que já estavam prontas passaram por uma revisão junto ao meu grande amigo e produtor Marco Nunes (Goatlove), as que não, foram aparecendo durante o processo conforme tocava ou com leituras e pesquisas. Depois as desenvolvia e revisa junto ao Marco. Sempre que encontrava algum tema que gostava, lia a respeito e trabalhava ele. Em alguns casos foi necessária uma pesquisa musicológica quando o tema abordava outras culturas ou gêneros musicais, como em “Lobo-Guará”, “D’arc (The Unburned Heart)”, “Ribat da Arrifana” e até mesmo “Dream Awake”. No caso da versão de “Sob o Sol” (de Marcos Viana) ouvi tudo o que encontrei, juntei tudo o que achei mais marcante e botei na mesma música.
A ideia de botar uma música que fosse abertura, “Emeraldine”, surgiu no final. Botar um solo de guitarra em “Star of Sophia” veio só depois de terminá-la. Um trecho da letra de “D’arc” veio só andando na rua ao ler a camiseta de uma pessoa que passava. Compor/criar é ficar atento aos sinais e situações também.  Além disso, foi necessária uma dose de desapego bem grande, pois vários refrões foram modificados do que eram originalmente.



04 - Pessoalmente, tive uma experiência de elevação ao ouvir algumas das músicas, posso dizer que foi um dos poucos álbuns que me atingiu a alma. Qual o conceito Central do álbum?
Antes de qualquer coisa fica meu agradecimento pelas palavras!! Ler ou ouvir que seu material faz bem de alguma maneira ou que atinge os outros profundamente faz parte da realização do sonho. Essa é a função da música, é o nosso maior objetivo como artista!! 
O “What Dreams May Come?” não possui um conceito único, possui sim duas linhas guias que, na verdade, são da Morpheus: a fusão com elementos étnicos, tanto na parte musical quanto lírica e as temáticas (num geral, não todas) ligadas ao universo onírico, muitas delas tendo como influência direta os contos de Sandman, do escritor inglês Neil Gaiman. 

05 - Como foi a escolha dos músicos?
Houve alguns critérios de escolha: musicalidade, profissionalismo e até mesmo equipamento. Ouvi o material de todos eles, recomendações a respeito, e, graças a Deus não foi complicado contatá-los. 
Tanto os músicos que eu já conhecia como os que me foram sugeridos por não conhecer pessoalmente naquele momento, caíram como uma luva e foram fundamentais pro resultado ter ficado com a qualidade do que ficou.
Três dos músicos (Bruno Ladislau, Dio Lima e Alírio) vieram pela indicação do amigo e dono da MS Metal Agency, Edu Macedo.


06 - Estamos diante de vozes muito poderosas. Como é trabalhar com potências como Fernanda Hay e Juliana Rossi?
Sempre quis gravar algo com ambas, então foi sensacional ter esta oportunidade, não só pelo fato de serem muito talentosas, mas também por serem pessoas leves, de bom humor, com uma ótima energia e tranquilas de trabalhar. Já as conheço há muito tempo (especialmente a Fê que, por ser prima da minha prima e as famílias estarem sempre juntas no fim de ano, a vi crescer e quase saindo das fraldas xD).

07 - Foi usado algum instrumento além dos convencionais?
Foi sim :D Em “D’arc (The Unburned Heart)”  e “Ribat da Arrifana” foi usado acordeom. No caso da Ribat tentei simular uma viola portuguesa, em “Shakespeare’s Secret Garden” hurdy gurdy e violino (que já é mais convencional) e “Dream Awake” uma viola caipira.

08 - A mistura de dois idiomas, no metal brasileiro, era inédito. E ouvindo “Lobo Guará” e “Ribat da Arrifana”, fica claro a capacidade e o brilhantina de como os dois elementos se completam. De onde surgiu a ideia? 
Acredito que esse tipo de fusão enriquece a música e valoriza não só seu resultado final mas também  a estória/história por trás dela. Na música japonesa é comum acontecer esse tipo de mistura, no caso, o japonês com o inglês. 
Adoro a língua portuguesa e acho-a muito bonita e rica, e como a Morpheus se propõe a trabalhar com fusões era uma experiência que precisava ser feita. Acho que deu certo xD mas não é nada fácil escrever em português no nosso cenário, pois existe um certo preconceito com o uso de nossa própria língua. 
No caso da Ribat ainda existe uma linha em latim no final dos refrões (Ira Tenax), e em D’arc um trecho de um poema em francês.

09 - Há alguma que te toca pessoalmente? 
Todas tocam de alguma maneira, mas “Star of Sophia” talvez seja a que toca mais profundamente. Ela fala sobre minha irmã. 

10 - Se pudesse escolher apenas uma música do álbum pra apresentar ao mundo, qual seria?
É difícil escolher um filho, mas, seria “Lobo-Guará”. Ela além de representar bem o que a Morpheus busca como banda (a fusão de elementos étnicos), já que é cantada em duas línguas e tem influências da música Flamenca, foi a primeira música que consegui fazer neste contexto, e acho ela muito bonita.

11 - Gostaria de agradecer a oportunidade e o trabalho brilhante desempenhado por vocês! Deixe uma mensagem nesse espaço!
Quem agradece o carinho somos nós!! Obrigadíssimo, Sara, e todos do “Deusas do Rock” pela oportunidade  \m/
E muito obrigado a todos que deixaram um espaço no coração para nossa música :D 
O sonho está só começando!!

Matéria e edição: Sara
Fotos: arquivo pessoal Christian

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